há coisas que só alguém que já não vive pode ver ou sentir. ou não ver e deixar de sentir.
sempre foi assim, desde aquela época, eu podia ver, podia prever... era inevitável, eu realmente não queria. eu vi você saindo sabendo que não ia voltar cedo e quando você iria tentar me decepcionar e eu iria fingir decepcionada, como se não soubesse. não foi uma vez... ou duas... ou três... ou quatro vezes... toda despedida parecia dor uma ferida antiga. isso é eu adeus? eu brigava com você e você e você e você... vários vocês. dai vocês iam lá abrir a ferida que eu já havia feito.
não é possível machucar alguém que já esta completamente machucada, se cada parte do meu corpo já se esvaio pelo tempo... e as memorias do corpo continuam movimentar essa carne, fazendo instintivamente a cada vez que conhece alguém um buraco para enfiar os pensamentos sobre ela depois.
eu tiro o seu livro da minha biblioteca do meu imaginário, tirando minhas previsões e deixo esse buraco para guardar minhas decepções sobre a pessoa, um espaço reservado. empacotando sempre e guardando todas as memorias que possível. 

tsukareta... .-.'